Página Inicial > Artigos > Fabiano Sales

» Artigos

  • Compartilhe 
  • Fabiano Sales
  • Emprego do Acento Grave - Questões Comentadas

    29/09/2011

    E aí, galera! Espero que todos estejam estudando muito!

     

                    Agora que vocês estão craques no emprego do acento grave, compartilho cinco questões comentadas (FGV, ESAF, Fundação Universa, FCC e Cesgranrio) sobre o tema CRASE. Todos a postos? Vamos lá!

     

    (FGV/2011-SEFAZ/RJ - Analista de Controle Interno) Ratifica-se, assim, o conceito de que a conscientização tributária pode representar um ponto de partida para a formação cidadã como uma das formas eficazes de atender às demandas sociais, com maior controle sobre a coisa pública.

     

    No período acima, empregou-se corretamente o acento grave para indicar o fenômeno da crase. Assinale a alternativa em que o acento grave tenha sido empregado corretamente.

     

    (A) Em visita ao Rio, fomos à Copacabana da Bossa Nova.

    (B) Esta prova vai de 13h às 18h.

    (C) Finalmente fiquei face à face com a tão esperada prova.

    (D) Os candidatos somente podem deixar o local de prova à partir das 15h.

    (E) Pedimos um bife à cavalo.

     

     

    Comentários:

     

    A) Correta. Para verificar se haverá ou não crase em nomes de lugar femininos, recomendo que vocês utilizem os versos a seguir:

     

    Quem vai A e volta DA, crase há.

    Quem vai A e volta DE, crase para quê?

     

    Ao empregar o verbo voltar, antônimo do verbo ir, verificamos que o topônimo Copacabana, quando determinado, admite o artigo definido feminino A: Voltamos da Copacabana da Bossa Nova. Logo, haverá crase:

     

    Em visita ao Rio, fomos à Copacabana da Bossa Nova.

     

    É importante frisar que, se o topônimo Copacabana não estivesse determinado, não haveria a ocorrência do fenômeno da crase:

     

    Em visita ao Rio, fomos a Copacabana.

     

     

    B) Incorreta. Em Esta prova vai de 13h às 18h., houve um erro de paralelismo sintático. Como antes do termo 13h há somente a preposição de, deve haver apenas a preposição a antes do termo 18h:

     

    Esta prova vai de 13h a 18h.

     

    Nesta construção, a intenção é informar que o tempo mínimo da prova é de treze horas e o máximo, de dezoito.

     

    Vale frisar que existe outra possibilidade de construção: a de empregar a preposição de acrescida do artigo definido as antes do termo 13h. Sendo assim, também deve haver preposição a acrescida do artigo definido as antes de 18h:

     

    Esta prova vai das 13h às 18h.

     

    Nesta construção, a significação indica que a realização da prova tem início às treze horas e encerramento, impreterivelmente, às dezoito.

     

     

    C) Incorreta. Não haverá crase entre palavras repetidas, o que deveria ter ocorrido na frase:

     

    Finalmente fiquei face a face com a tão esperada prova.

     

     

    D) Incorreta. Não se utiliza acento grave antes de verbos, pois não admitem a anteposição de artigos definidos femininos. Portanto, a frase correta seria:

     

    Os candidatos somente podem deixar o local de prova a partir das 15h.

     

     

    E) Incorreta. Este é mais um dos casos proibidos de emprego do acento grave: antes de nomes masculinos. Logo, o período correto seria:

     

    Pedimos bife a cavalo.

     

    Gabarito: A.

     

     

     

    (ESAF/2010 - SEFAZ/RJ - Agente de Fazenda) Assinale a opção que preenche corretamente as lacunas do texto.

     

    De todo navio que aporta no país são exigidos, em média, 112 documentos, com __1__ obrigatoriedade de serem fornecidas 935 informações. É um calhamaço de formulários com diversas vias __2__ serem remetidas__3__ órgãos diferentes e em duplicidade. Apenas no porto de Santos, o maior do país, __4__ burocracia exige, por ano, o preenchimento de 3.773.800 folhas, 17,4 toneladas de papel, segundo estimativa do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro). Por ser de navio que qualquer país faz __5__ maior parte das exportações e importações, conclui-se que__6__ burocracia é poderoso entrave ao comércio exterior brasileiro.

    (O Globo, 27/7/2010, com adaptações)

     

           1 - 2 - 3 - 4 - 5 - 6

    (A)  à - a - à - à - a - a

    (B)  a - à - a - à - à - a

    (C)  à - à - a - a - à - a

    (D)  a - a - à - à - a - à

    (E)  a - a - a - a - a - a

     

     

    Comentários:

     

    A lacuna (1) deve ser preenchida somente com o artigo definido a, exigido pelo substantivo obrigatoriedade, já que o termo regente exige a preposição com: "(...) com a obrigatoriedade (...)". Sendo assim, já se descartam as assertivas A e C.

     

     

    A lacuna (2) deve ser preenchida somente com a preposição a - equivalente a para -, visto que verbos não admitem a anteposição do artigo definido feminino a: "(...) diversas vias a serem remetidas (...)". Sendo assim, também se descarta a assertiva B.

     

     

    Por sua vez, o contexto da lacuna (3) apresenta apenas a como uma preposição, visto que o termo regido órgãos diferentes pertence ao gênero masculino e encontra-se no plural. Logo, não ocorrerá a crase. Sendo assim, também se elimina a assertiva D. Contudo, vamos analisar as demais lacunas.

     

    Na lacuna (4), há apenas o artigo definido a, em virtude do substantivo burocracia. Vale frisar que, no contexto em que se apresenta, o termo a burocracia desempenha a função de sujeito. Como se sabe, o sujeito não pode ser preposicionado.

     

     

    Com relação à lacuna (5), esta deve ser preenchida apenas com o artigo definido a, uma vez que o termo regente - verbo fazer - é transitivo direto, isto é, não exige preposição.

     

     

    Por fim, a lacuna (6) mantém a correção gramatical ao ser preenchida apenas com o artigo definido a, concordando em gênero com o substantivo burocracia. Vale frisar, novamente, que, no contexto em que se apresenta, o termo a burocracia desempenha a função de sujeito. Como se sabe, o sujeito não pode ser preposicionado.

     

    Gabarito: E.

     

     

    (Fundação Universa/2011 - SEPLAG/DF - Auditor Fiscal de Atividades Urbanas - Adaptada)

     

    Texto para responder à questão abaixo.

     

                Imagine se o mercado de energia funcionasse assim: você vai a uma loja de departamentos e compra um kit de energia solar ou eólica. Instala o dito cujo no telhado, seguindo o manual de instruções, pluga na tomada e, com o celular ou o computador, controla a produção de energia em casa. Quando seu gasto de energia for maior que a produção, você recebe uma conta em casa. Mas, quando a produção superar o consumo, algo incrível acontece: chega um cheque pelo correio. Não seria sensacional?

                Seria, claro. Mas o jeito como os Estados Unidos estão incorporando energias limpas ao seu sistema é bem diferente disso. Por lá, eles estão substituindo carvão queimado por energia eólica e solar, o que é bom, mas de uma maneira que não muda a relação entre os produtores e os consumidores de energia. Você conhece o modelo: usinas gigantescas produzindo energia, postes monumentais transportando essa energia por milhares e milhares de quilômetros. Quem quiser pode instalar seu painel solar no telhado, mas o sonho de mandar essa energia para a rede e faturar uns trocadinhos com isso continua bem longe da realidade.

                A revista Fast Company publicou, na sua edição de julho/agosto, uma reportagem bem interessante acerca de um novo sistema de produção descentralizada de energia, o microgrid, que se opõe ao tradicional macrogrid. A diferença entre os dois parece com a distinção entre a televisão (uma enorme infraestrutura de mão única que leva informação do centro para as bordas) e a Internet (uma teia gigantesca que não tem centro ? todo mundo produz e consome ao mesmo tempo).

                Assim como a Internet deu origem a uma avalanche de empreendedorismo pelo mundo, a ponto de algumas das maiores empresas do planeta hoje terem nascido lá dentro, essa mudança poderia iniciar uma nova era de dinamismo no setor de energia. Qualquer um de nós poderia ajudar a resolver a crise de energia ? e ganhar dinheiro com isso. Haveria um surto de inovação, com gente mundo afora tentando desenvolver cataventos e placas solares mais eficientes, novas fontes de energia e de transmissão.

     

    Denis Russo Burgierman. Internet: http://veja.abril.com.br (com adaptações). Acesso em 22/9/2009.

     

    Assinale a alternativa que interpreta corretamente ideias e fatos linguísticos do texto.

     

    (E) O sinal indicativo de crase pode ser corretamente inserido sobre o segundo a da linha 17, pois o verbo dar assim o permite.

     

     

    Comentários:

     

    Gabarito: Item incorreto.

     

    No contexto "Assim como a Internet deu origem a uma avalanche (...)", o termo regente - verbo dar - é transitivo indireto e exige a preposição a. Porém, conforme os ensinamentos contidos nas lições de crase, não se deve empregar o acento grave antes de artigos indefinidos (um, uns, uma, umas). Logo, no excerto "Assim como a Internet deu origem a uma avalanche (...)", o a é apenas uma preposição, não podendo ser inserido o acento grave indicativo de crase.

     

     

    (FCC/2010 - TRE-AM / Técnico Judiciário) Sem nada perguntar ___ ninguém, o rapaz dirigiu-se ___ um canto da sala, ___ espera de ser chamado pela atendente.

     

    (A) a - a - a

    (B) a - a - à

    (C) a - à - à

    (D) à - à - a

    (E) à - a - a

     

     

    Comentários:

     

    Na primeira lacuna, o a é apenas preposição. Como se sabe, não se emprega o acento grave antes de pronomes indefinidos (tudo, nada, qualquer, ninguém), pois estes não admitem a anteposição do artigo definido a. Logo, não haverá o fenômeno da crase.

     

    Na segunda lacuna, o a também é apenas uma preposição. Não haverá crase antes de artigos indefinidos (um, uns, uma, umas): "(...) dirigiu-se a um canto da sala (...)".

     

    Já a terceira lacuna apresenta um caso de locução prepositiva feminina "à espera de", o que torna obrigatório o emprego do acento grave: "(...) à espera de ser chamado pela atendente".

     

    Gabarito: B.

     

     

     

    (Cesgranrio/2011 - FINEP / Analista Jurídico) O sinal indicativo da crase é necessário em:

     

    (A) Os cartões-postais traziam as novas notícias de quem estava viajando.

    (B) Recife abriga a mostra de antigos cartões-postais, fruto do esforço de um colecionador.

    (C) Reconhecer a importância de antigos hábitos, como a troca de cartões-postais, é valorizar o passado.

    (D) Enviar um cartão-postal aquela pessoa a quem se ama era, nos séculos XIX e XX, uma forma de amor.

    (E) Durante muito tempo, e em vários lugares do mundo, a moda de trocar cartões-postais permaneceu.

     

     

    Comentários:

     

    A) Em "Os cartões-postais traziam as novas notícias de quem estava viajando.", o termo regente - verbo trazer - é transitivo direto, ou seja, não exige o emprego de preposição. Logo, o as que antecede o termo regido novas notícias é apenas artigo definido, não havendo, portanto, a possibilidade de empregar o acento grave.

     

     

    B) Em "Recife abriga a mostra de antigos cartões-postais, fruto do esforço de um colecionador.", o termo regente - verbo abrigar - também assume transitividade direta, ou seja, não exige o emprego de preposição. Logo, o a que antecede o termo regido - mostra de antigos cartões-postais - é apenas artigo definido. Sendo assim, não há possibilidade de empregar o acento grave.

     

     

    C) Na frase "Reconhecer a importância de antigos hábitos, como a troca de cartões-postais, é valorizar o passado.", o termo regente - reconhecer - é um verbo transitivo direto, ou seja, não exige o emprego de preposição. Logo, o a que antecede o termo regido importância de antigos hábitos é apenas artigo definido. Portanto, não haverá crase.

     

     

    D) No contexto "Enviar um cartão-postal aquela pessoa a quem se ama era, nos séculos XIX e XX, uma forma de amor.", é necessário fazer duas análises:

     

    (1)  "Enviar um cartão-postal aquela pessoa (...)"

     

    Empregando o método prático apreendido nas lições de crase, verifica-se que:

     

    1º) o verbo enviar - termo regente - é transitivo direto e indireto, exigindo, em seu complemento indireto, a preposição a (enviar algo a alguém) ;

     

    2º) o termo regido é o pronome demonstrativo aquela. Neste caso, como foi constatada a presença da preposição A, haverá a fusão com o A inicial da forma pronominal aquela. Então, a frase corretamente escrita seria:

     

    "Enviar um cartão-postal àquela pessoa (...)"

     

     

    (2)  "Enviar um cartão-postal àquela pessoa a quem se ama (...)."

     

    Como se verifica, o verbo enviar - termo regente - é transitivo direto e indireto, exigindo, em seu complemento indireto, a preposição a (enviar algo a alguém). Não obstante a presença dessa preposição, não se usa acento grave antes do pronome relativo quem (pois não admite a anteposição de artigo).

     

     

    E) No período "Durante muito tempo, e em vários lugares do mundo, a moda de trocar cartões-postais permaneceu.", o a é apenas artigo definido, que concorda com o substantivo moda. Logo, não haverá crase.

     

    Gabarito: D.

     

     

    Até o próximo encontro, pessoal!

     

    Grande abraço a todos!

     

    Prof. Fabiano Sales

     

    fabianosales@euvoupassar.com.br

     

     

    • Compartilhe 


    Eu Vou Passar® - Copyright 2010. Todos os direitos reservados.

    Eu Vou Passar Comércio de Livros e Materiais Didáticos e Serviços Educacionais Ltda
    Av. Lins Petit, 320 - Salas 403/404 - Boa Vista - Recife - PE - CEP 50.070-230
    CNPJ: 11.292.078/0001-43