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  • Heber Carvalho
  • Questões comentadas de Economia do Trabalho

    15/08/2011
    Olá caros(as) amigos(as),

    A partir de agora, pretendo comentar, aos poucos, todas as questões de Economia do Trabalho que já foram cobradas pela ESAF nos concursos de AFT. Ao todo, temos poucas questões para trabalhar. São apenas 30 (trinta). No meu artigo inicial aqui no EuVouPassar, eu comentei as cinco questões da última prova, em 2010. Veja em:

    Hoje, vou comentar mais 05 questões, cobradas no primeiro concurso em que a disciplina foi exigida, em 1998. Vejamos os comentários:

    01. (ESAF - AFT) - Se o desemprego é essencialmente friccional, podemos considerar como políticas mais adequadas de emprego:

    a) criação de agências de emprego que divulguem informações relativas a vagas.
    b) criação de seguro-desemprego.
    c) criação de um programa de renda mínima.
    d) aumento dos encargos trabalhistas.
    e) elevação das taxas de juros na economia.


    COMENTÁRIOS:


    O desemprego friccional ou desemprego natural deve-se ao dinamismo do mercado de trabalho e ocorre porque muitas pessoas estão “entre empregos”, ou seja, acabaram de sair de um emprego e há um lapso de tempo até que elas achem outro emprego ou até mesmo que os empregadores do ramo saibam que sua mão-de-obra está disponível. Para evitar este tipo de desemprego ou diminuir este lapso de tempo, uma alternativa seria a criação de agências que divulgassem as vagas abertas de emprego, ou ainda a criação de um banco de dados que dispusesse destas informações.

     

    Gabarito: A


    02. (ESAF - AFT) - Quanto aos conceitos de pleno emprego e de desemprego, é correto afirmar que:

    a) a taxa natural de desemprego reflete um desemprego cíclico devido a situações recessivas no mundo dos negócios.
    b) o pleno emprego é o nível de emprego consistente com a taxa natural de desemprego, que reflete fatores basicamente friccionais.
    c) o pleno emprego pode ser compatível com desemprego não friccional, desde que este seja cíclico.
    d) abaixo do pleno emprego, pode ser possível a existência apenas de desemprego friccional, desde que a taxa natural de desemprego seja zero.
    e) o desemprego friccional é aquele decorrente de um ciclo recessivo na economia de caráter conjuntural.


    COMENTÁRIOS:


    Vamos diretamente à análise das assertivas:

     

    a) a taxa natural de desemprego reflete o desemprego friccional. Este desemprego ocorre mesmo em uma situação de equilíbrio de mercado onde a oferta de mão-de-obra é igual à demanda por mão-de-obra, e é devido ao fato de que algumas pessoas estarão “entre empregos” (lapso de tempo entre a saída de um emprego e a entrada em outro) devido ao dinamismo do mercado de trabalho.

     

    b) Correta.

     

    c) o pleno emprego representa a situação em que há apenas desemprego friccional.

     

    d) o pleno emprego, na verdade, indica apenas a existência de desemprego friccional. Se a economia está abaixo do pleno emprego, há, além do desemprego friccional, desemprego cíclico (por insuficiência de demanda).

     

    e) foi apresentado o conceito de desemprego cíclico.

     

    Gabarito: B

     

     

    03. (ESAF - AFT) - Considere as frases a seguir:

    I – As teorias de salário-eficiência partilham da hipótese de que a empresa funciona de forma mais eficiente se paga salários elevados aos seus empregados;
    II – Pelas teorias de salário-eficiência, pode-se diminuir o chamado "risco moral" pagando um salário mais elevado do que o de equilíbrio;
    III – As teorias de salário-eficiência implicam rigidez salarial e o chamado desemprego de espera.

    Podemos então afirmar que

    a) somente a I e a II são corretas.
    b) somente a I é correta.
    c) somente a II é correta.
    d) I, II e III são corretas.
    e) somente a I e a III são corretas.


    COMENTÁRIOS:


    A questão aborda a teoria dos salários de eficiência, que são salários acima do equilíbrio de mercado. Antes, porém, algumas definições:

     

    - Risco moral (moral hazard): é um tipo de falha de mercado, mais especificamente devido à existência de informações assimétricas no mercado (quando vendedores e compradores possuem diferentes informações sobre o produto a ser transacionado – uma das partes detém informações que não estão disponíveis para a outra parte). O exemplo mais clássico e mostrado em livros é o mercado de seguros de automóveis. Neste mercado, após a assinatura do contrato de seguro, o segurado sente-se mais tranqüilo em relação ao seu automóvel e pode deixar de tomar várias medidas de segurança em virtude de o veículo estar segurado. No entanto, por outro lado pode haver segurados, que mesmo fazendo o seguro do carro, continuem a tomar todas as precauções possíveis para evitar o roubo de seu veículo. No fim, a empresa de seguros, ao firmar os contratos, não sabe quem efetivamente vai cuidar ou não da segurança de seu carro, e o resultado é bastante previsível: ela vai aumentar o prêmio do seguro para todos, de forma que os bons pagarão pelos maus. Trazendo agora para o mercado de trabalho, o risco moral ocorre quando o contratado por determinada empresa faz corpo mole no trabalho. Neste caso a empresa, ou vai incorrer em gastos adicionais para fiscalizar os empregados, ou vai diretamente reduzir os salários de todos os empregados, novamente, os bons pagarão pelos maus.

     

    - Desemprego de espera: é o desemprego voluntário de alguém que espera por um emprego que atenda a suas condições específicas. Exemplo: vamos supor que alguém se formou em administração na Universidade de Harvard e depois voltou para o Brasil. Esta pessoa sabe que sua mão-de-obra é altamente qualificada, desta forma ela poderá recusar várias ofertas de trabalho por achar que estas ofertas não estão a sua altura em termos de remuneração e condições de trabalho. Este indivíduo provavelmente só aceitará trabalhar em firmas que paguem salários de eficiência (acima do equilíbrio).

     

    Vistos os conceitos vamos falar sobre a teoria de salários de eficiência.

     

    Imagine que o mercado de professores esteja pagando um salário de equilíbrio de R$ 50,00 hora/aula. No entanto, um determinado curso pode querer pagar um salário acima de R$ 100,00 hora/aula tendo em vista os seguintes objetivos:

     

    - proporcionar mais saúde ao trabalhador.  Com uma remuneração mais alta, o trabalhador se alimentará melhor, terá uma melhor saúde, faltará menos ao trabalho e, por fim, terá mais disposição para trabalhar.

     

    - reduzir o corpo mole, a cera, a acochambração. Aqui o objetivo, em outras palavras, é evitar o risco moral, pois o trabalhador pensará duas vezes antes de fazer cera, já que ele sabe que é muito bem remunerado e que se for demitido, será remunerado por outras empresas pelo salário de mercado, que é menor que o que ele recebe.

     

    - maior probabilidade de contratar o melhor. Se houver bons professores que só aceitam receber a partir de R$ 80,00 hora/aula, este curso aumentará a probabilidade de contratar estes bons professores, ao passo que se ela pagasse R$ 50,00, estes bons professores nem se candidatariam ao trabalho.

     

    - evitar a rotatividade da mão-de-obra. Pagando salários de eficiência, a firma evita que seus quadros busquem outros empregos ou oportunidades em outras empresas, evitando a rotatividade da mão-de-obra, que tem um custo alto para as empresas, já que elas incorrem em gastos para treinamento do novo funcionário, além do que a produtividade de novos empregados é muito baixa logo quando eles chegam ao novo trabalho.

     

    Vamos à análise das alternativas:

     

    I – Correta.

    II – Correta. Reduzir o risco moral é um dos objetivos dos salários de eficiência.

    III – Correta. A teoria de salário eficiência implica rigidez salarial do ponto de vista que o salário não é diminuído, caso contrário poderá até deixar de se enquadrar como salário eficiência e assim a empresa não atingirá seus objetivos listados acima. Os salários eficiência podem criar desemprego de espera, fazendo com que profissionais mais capacitados decidam ficar desempregados esperando uma possível contratação por uma empresa que pague estes salários eficiência maiores que os de mercado.


    Gabarito: D

     

    04. (ESAF - AFT) - Em relação ao mercado de trabalho brasileiro, no período recente, é incorreto afirmar que:

    a) se verifica uma precarização do emprego, especialmente no setor de serviços privados.
    b) se observa um crescimento das taxas de desemprego aberto e do grau de informalização do pessoal ocupado.
    c) apesar de se verificar um aumento nas taxas de desemprego, constata-se uma diminuição nas taxas de subemprego e rotatividade da mão-de-obra.
    d) se verifica uma tendência à desregulamentação no mercado de trabalho.
    e) se verifica uma tendência à sonegação fiscal no mercado de trabalho.

     

    COMENTÁRIOS:


    Este é o tipo de questão difícil de ser estudada, e que deve ser respondida pelo uso do conhecimento do dia-a-dia e, principalmente, bom senso.

     

    Nos recentes últimos anos tem sido observada uma diminuição da taxa de desemprego (um dos motivos da alta popularidade do presidente Lula em seus mandatos e que possibilitou a eleição da presidente Dilma), porém as condições de trabalho não têm melhorado tanto. O subemprego, a rotatividade da mão-de-obra, a sonegação fiscal e a informalidade têm aumentado. A letra C está incorreta pois diz exatamente o contrário do que explicado acima.

     

    Gabarito: C


    05. (ESAF - AFT) - Considere as seguintes afirmações:

    I – Uma das explicações para a piora na distribuição de renda na fase de crescimento econômico nos anos 70 foi o desequilíbrio no mercado de trabalho em que houve um forte crescimento da demanda por mão-de-obra qualificada, frente a uma oferta de mão-de- obra qualificada relativamente constante;

    II – Uma das explicações para a piora na distribuição de renda na fase de crescimento econômico nos anos 70 pode ser encontrada na política salarial e no fechamento de sindicatos impostos pelo regime militar;

    III – Uma das explicações para a piora na distribuição de renda na fase de crescimento econômico nos anos 70 foi o aumento da taxa de desemprego.

    Podemos afirmar que:

    a) somente a I e a III são corretas
    b) I, II e III são corretas
    c) somente a II é correta
    d) somente a III é correta
    e) somente a I e a II são corretas

    COMENTÁRIOS:


    Assertiva I: Correta. A expansão de vários setores da indústria brasileira (petróleo, siderurgia, indústria de base) durante os governos militares fez aumentar a demanda por mão-de-obra qualificada. Desta forma, quem era qualificado (tinha diploma de nível superior, que na época era um grande diferencial) auferia bons rendimentos. Do outro lado da moeda, como a oferta de mão-de-obra não qualificada era grande, seus rendimentos ficavam muito aquém daqueles trabalhadores que eram qualificados, havendo, assim, uma grande diferença de padrão de vida entre os qualificados e não qualificados.

     

    Assertiva II: Correta. O fechamento de sindicatos certamente diminui o bem-estar dos trabalhadores não qualificados, justamente os que auferem menos renda, piorando a distribuição de renda. Já a política salarial dos anos 70, por parte do governo, caracterizou-se pelo arrocho do salário mínimo. Enquanto o PIB crescia a altas taxas, o salário mínimo decrescia, ocasionando piora na distribuição de renda.

     

    Assertiva III: Incorreta. Nos anos 70 houve uma redução substancial da taxa de desemprego devido aos sucessivos aumentos do PIB brasileiro (época do milagre econômico).

     

    Gabarito: E

    ................


    É isso aí pessoal! Por hoje é só! 

    Aproveito também para informar que está praticamente confirmado que devo gravar um curso completo de Economia do Trabalho (aprox. 25 horas) no início de Setembro.


    Abraços e bons estudos!

    Heber Carvalho

    hebercarvalho@euvoupassar.com.br

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